quinta-feira, 11 de abril de 2013

Grande demais. E não precisa quebrar.


Em maio de 2011 foi lançado nos EUA um filme que contou como o governo americano lutou para salvar grandes empresas financeiras, bancos e seguradoras, da quebradeira. Esse filme se chama "Too Big to Fail" ou "Grandes demais para quebrar".  A epopéia do secretário do tesouro americano Henry Paulson e Ben Bernanke (da Reserva Federal, uma espécie de Ministro da Fazenda) tentando a fusão de vários mega-bancos em meio à crise que assolou o país entre 2008 e 2011 vale a pena ser visitada.




Pois que hoje me esbarro com um artigo do colunista da Reuters Breakingviews, Christopher Swann, falando do mesmo filme como pano de fundo para uma eventual ajuda do governo brasileiro a Eike Batista e seu grupo EBX. Pelo que se lê no artigo, setores do governo estão empenhados em entender como as empresas podem sair do ciclo que fez com que perdessem cerca de US$ 27 bilhões e que a Petrobrás seria a grande intermediária da ajuda e por outro lado a maior benficiária da operação.

Em primeiro lugar é preciso entender que as empresas de Eike se capitalizaram fortemente durante o ciclo de crescimento do país na década passada. Através de aberturas de capital sucessivas, receberam investimentos gigantescos, principalmente na OGX, o braço de exploração de petróleo do grupo. Tudo se baseou em uma grande promessa, em boa parte do Pré-Sal, de que o país se tornaria um dos maiores países produtores e exportadores de petróleo. Obviamente, essas ações se valorizaram, e como tudo que não é resultado de algo real e sim de uma especulação, atingiram um valor estratosférico.

Mas, para que tudo continuasse como estava, era necessário que os investimentos feitos com o valor captado com as aberturas de capital da OGX gerassem um resultado real. Após 5 anos, a produção de petróleo das empresas é muito pequena e isso tem feito com que aqueles investidores que estavam com um papel na mão o vendam e quanto mais desses papéis forem vendidos, o valor de mercado da empresa cai.

O grande problema, é que as especulações que antes ajudaram a inflar o valor de mercado das empresas, faz com que mais e mais investidores fujam do negócio e o torne em algum tempo insustentável, exatamente por falta de recursos. Seria imprudente de minha parte dizer que existe falta de competência em gerir um negócio tão complexo como o de exploração de petróleo. Talvez a melhor análise seja de que a administração de expectativas não foi bem feita. Nem no começo e nem quando os cronogramas começaram a não ser cumpridos.

Quanto ao governo ajudar, apoiar ou seja lá o que for, é preciso que se analise também com muito cuidado. A OGX é concessionária de um bem público, que pode gerar muito crescimento em diversos setores do país e aumentar o poder de renda do brasileiro. O governo não pode virar as costas para a empresa, deve encontrar uma forma de investir e recuperar o investimento em algum tempo e, claro, se retirar do negócio quando estiver saneado.



Vamos aguardar!
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