quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Sobre política, jornalistas esportivos e futebol


A ditadura pegou pesado no início dos anos setenta e de forma moderada no final da mesma década e início dos anos oitenta. Existiam dois blocos, aqueles que apoiavam o governo militar e a oposição, os que eram contra. Eu estava cursando a faculdade de economia, na PUC-SP, uma universidade ligada aos movimentos de esquerda e lá pude acompanhar bem a formação dos movimentos conhecidos como "Anistia", "Pluripartidarismo" (até ali só existiam dois partidos, Arena - situação - e MDB - oposição) e "Diretas Já".


Um dos instrumentos utilizados pela ditadura para inibir movimentos rebeldes por parte da oposição era a censura. Músicos, Rádios, TVs e jornais tinham seus materiais previamente acompanhados por agentes da censura no sentido de que "recados" contra o regime não fossem passados à população. Mesmo assim, com o desgaste econômico, a ditadura veio abaixo, morreu e deixou suas heranças. Músicos, jornalistas e políticos até hoje são reconhecidos como heróis de uma resistência que realmente aconteceu, inclusive com vários deles passando por torturas nos órgãos de repressão.

Não se deve tirar o mérito daqueles que lutaram contra um regime totalitário, através de suas crônicas ou músicas, que de certa forma movimentaram o povo contra os descalabros dos militares. Mas uma herança ficou. Não sou formado em jornalismo, mas os preceitos básicos de que uma pessoa que atua na profissão são óbvios, e o que se vê hoje em dia na maioria dos profissionais da área não tem muito a ver com eles.

A herança deixada de que um indivíduo pode formar opiniões apenas pelo nome e pelo passado que carrega, infesta diversas áreas, mas onde esta forma de atuação se vê de forma mais clara é na área esportiva. Centenas de jornalistas, formadores de opinião e que são conhecidos do grande público fabricam suas próprias verdades através de seus próprios blogs. Travestidos de uma certa “paixão” colocam em primeiro lugar notícias não confirmadas com os dois lados da história, no sentido de desestabilizar clubes adversários.

Notícias como declarações do fanfarrão Andres Sanchez, ex-presidente de um clube e ex-diretor de seleções da CBF, em que teria feito proposta ao jovem Neymar no valor de R$ 120 milhões e que o jogador só teria negado a proposta porque “pegaria mal”. Até dar a notícia tudo bem, mas e checar com Neymar se ela é verdadeira? Parte dessa imprensa foi perguntar ao VP do Santos FC, mas o ex-presidente do corinthians disse que foi ao Neymar e se deu amplo espaço a essa notícia mas sequer um jornalista foi perguntar ao garoto se isso é verdade. Em um país com jornalistas sérios isso deveria ser checado. Claro que é só um exemplo, mas todos os dias são casos assim, um após o outro em que o outro lado da notícia não é checado.

O Resultado é o de sempre. A notícia dada por um só lado vira verdade, mesmo que permeie os sites por alguns dias, mas em algum tempo, como não é desmentida, vira verdade absoluta para os interesses desse rapaz. Não acho que falte coragem a jornalistas, principalmente àqueles que se dizem os últimos bastiões da honestidade e da ética e vivem lutando contra a CBF, seus cartolas. É uma questão que agrada a eles, pois gera polêmica e por consequência audiência. Uma audiência suja.

Oras, se você não mostra o outro lado da notícia, consequentemente está censurando o público de acesso à informação, mesmo que o primeiro lado esteja falando a verdade. É censura e que corre em um processo galopante. Casos como o citado acima aparecem no jornalismo esportivo, aos montes, interesses econômicos, de audiência e até de paixão fazem com que a verdade ou ao menos o acesso ao outro lado da informação seja negado aos leitores.

Por consequência, continuamos com um país de terceiro mundo querendo fazer uma Copa do Mundo de primeira. A farra dos R$ 86 bilhões de reais. Será uma festa e os nomes dos jornalistas que estão calados hoje (ou até se fazem de revoltados, mas suas notícias mostram essa dubiedade de sempre) vão aparecer neste blog, cada vez que após a Copa vierem criticar algum descalabro que aconteceu, posando de bastiões da honestidade, pregando a destituição de cartolas, mas amando e puxando o saco de “Ronaldos” que são membros do Comitê Organizador (o Comitê que promove a farra da gastança), criticando estádios com dinheiro público, mas comemorando muito que seu time ganhou um. Sem dúvidas, serão tão responsáveis quanto quem superfaturou uma obra ou quem não fiscalizou a mesma, afinal nenhum serviço para onde eles trabalham é gratuito, o leitor paga seu salário para dizer a verdade. E ouvir os dois lados. Sempre.

Abraços a todos!
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