terça-feira, 23 de outubro de 2012

Política Brasileira: Do centro para a Direita


Passei boa parte de minha juventude sob um período de exceção, uma ditadura, que se iniciou em 1964 e acabou quando eu tinha vinte e poucos anos. É muito interessante observar que, quando as pessoas estão sob a tutela de uma ditadura as reações são muito previsíveis. Ou você concorda ou você é oposição. E a oposição da época tinha seu papel facilitado, uma vez que, se existem os “bandidos”, basta intitular-se como “mocinhos” que o papel de oposição é reconhecido automaticamente pela sociedade (óbvio, a que quer mudanças). Longe de dizer que era fácil ser oposição, pelo contrário, mas ser reconhecido como oposição que era facilitado pela ditadura.



Pois bem, passaram-se anos de regime democrático até os dias de hoje. Falando somente em regimes presidenciais tivemos Collor , Itamar, Fernando Henrique (2) e Lula (2). Enquanto é clara a evolução democrática, vejo o papel de oposição se esvair ao longo dos anos. Vamos analisar esse papel em três períodos.

Em um período quase de exceção, o governo Collor em termos políticos foi tão ruim que conseguiu unir contra si as quatro grandes forças políticas do país. Um PT bem à esquerda  à época, um PSDB de centro-esquerda, um PMDB de centro (um saco de gatos para falar a verdade) e o chamado atualmente de DEM à direita. Deu no que deu, não conseguiu dialogar, conseguir consenso, impeachment, etc... Mesmo assim, o papel para o eleitor de quem era oposição estava muito claro, era mais difícil entender quem era situação.

Os dois governos Fernando Henrique, com o PSDB no poder, seguiram o primeiro papel de governo de coalizões, juntando-se para governar ao PMDB e DEM, deixando o PT na oposição. Como esses partidos eram maioria na Câmara e o PT tornava-se grande, mas ainda em menor número, passou a ser junto a partidos bem menores (PDT, PSTU,PC do B, PSB, etc) a pedra a ser atirada na vidraça de todos os outros e reconhecido como a oposição forte do país. Reparem que neste momento, PMDB e DEM tornam-se partidos de ocasião e principalmente o PSDB por participar como governo por oito anos, perde seu “status” de centro-esquerda e passa a ser visto como situação, ou melhor, centro-direita.

Com a entrada do PT no poder com Lula, com oito anos também, a oposição torna-se situação. O mais interessante é que o partido fecha uma coalizão com os mesmos partidos que anteriormente eram radicalmente oposições e com o PMDB, ficando na chamada oposição PSDB e DEM. Com o passar do tempo, o partido, para ter governabilidade, fez concessões e observou-se uma tendência de centro e até de centro-direita. Começa aí o vácuo deixado na esquerda brasileira e por consequência, a dificuldade percebida no cidadão brasileiro de identificar uma oposição.

O PT com seu movimento de ida ao centro e centro direita, pressionou o PSDB e DEM a ir mais à direita do que suas convicções, enxergando sempre nestes partidos o “antes”, e não um movimento de mudança que poderia acontecer caso fossem levados novamente ao poder. O que sobra como oposição à esquerda ainda é muito pouco, de um lado o PSOL que ainda é um partido adolescente, vigoroso, mas ainda sem projeto de poder e de outro surge uma nova liderança no Nordeste, Eduardo Campos, do PSB, neto de Miguel Arraes e seu partido tem forte ideologia histórica de esquerda.

É óbvio que devemos aguardar o futuro, mas o mais interessante a se observar é que a política brasileira hoje está praticamente toda ao centro e com fortes tendências para a direita, fato muito observado nos governos dos Estados Unidos, tanto republicanos como democratas divergem, mas sempre do centro para a direita mais radical, nunca passando pela esquerda e sem rupturas.

Abraços a todos!
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1 Comentário:

DIVULGANDO CR disse...

O que se nota em tudo isso é que a política brasileira está voltada para suas conveniências, que nem ideológicas são. Cada qual procurando torcer a situação de forma que lhe favoreça individualmente. Tudo isso prova um desconhecimento muito grande do que é a comunidade universal, bem como o papel que a política deveria desempenhar para a união e pacificação dos povos. Causa: falta de cultura verdadeira, cultura universal, CULTURA RACIONAL. Parabéns pela postagem, Amigo Luis Pereira!

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