sábado, 16 de junho de 2012

A atual receita jornalística brasileira


Como editor de blogs há alguns anos, é meu costume diário ler vários deles, com assuntos variados de minha predileção como futebol, política e negócios. Para que o leitor  tenha uma idéia, somente de futebol leio 20 blogs diários e todos de jornalistas, assim como são jornalistas os autores dos outros que leio. 




Já vivi alguns períodos deste país, me conheci adolescente em meio a uma ditadura, jovem e cheio de sonhos ao final dela e amadureci com impeachment e a  chegada da centro-esquerda ao poder. Em todos estes momentos, sem exceção, o papel dos jornalistas sempre me provocou profundo fascínio, uma vez que o papel de duvidar de informações e investigá-las lhes pertencia. Mesmo que a pauta jornalística pertencesse a um veículo, seja ele TV ou jornal, seguindo sua linha editorial, o jornalista brigava pela informação verdadeira e a ferramenta usada era a investigação.


Nos últimos anos, as tais pautas dos veículos de comunicação começaram a andar em uma linha tênue entre interesses, sejam eles políticos ou de própria sobrevivência do jornal ou TV. Um jornal não vive mais de sua receita de vendas na banca, mas sim de patrocínios de empresas que tem seus próprios interesses, assim como redes de televisão dependem de seus anunciantes. Mesmo assim, ainda é possível um jornalista investigar antes de divulgar determinada notícia, checar suas fontes e, principalmente, deixar de lado suas opiniões pessoais, torcidas e tendências antes de finalizar um texto ou uma matéria.


Talvez por medo de perder seus empregos nas redes de televisão ou jornais, hoje a maior parte desta classe simplesmente segue o que lhe mandam e escrever o que mantém a audiência intacta, sem radicalismos ou denúncias. Basta o leitor deste blog observar se existe algum jornalista em conflito com algum político, sendo acusado de perseguir políticos ou revelando algum furo com exclusividade. Afinal, só sabemos dos escândalos através de denúncias que partem ou da própria polícia que investigou ou de alguém que participava do escândalo e resolveu denunciar. 


Pois daí esse mesmo jornalista resolve criar um blog. Sinceramente eu acreditava que este tipo de veículo seria a grande fuga para que um jornalista pudesse exercer a investigação e se utilizar de instrumentos adquiridos na carreira, entre elas a incessante busca pela verdade. Pois o grande adversário aí não é a pauta. É a vaidade. É a audiência pessoal. 


Quando comecei com este blog, cometi o mesmo erro. Acreditava que o número de visitantes era o que importava e não a qualidade desta audiência. Pois que vejo e peço que observem (por exemplo na www.uol.com.br/esportes , os blogs de esportes ficam à esquerda no site) que cada um desses famosos jornalistas jogam com o leitor, contrapondo informações, opiniões pessoais, divulgam boatos e defendem A ou B sem pensar no bem maior que poderiam fazer à verdade divulgando somente ela, a verdade. 


Se eu quisesse muitas visitas aqui hoje , bastaria pegar um incêndio na política como por exemplo aquela notícia de que o Lula teria pressionado o ministro Gilmar Mendes do Supremo para adiar o mensalão e tomar uma linha de "verdade" e afirmar ao leitor que isto ou aquilo aconteceu. Alguém pode me responder qual foi o jornalista que nos revelou qual a verdade nesta história? Ou somente interessou divulgar, sem se preocupar com os leitores, passou toda uma linha de que A está errado e pronto, atrai para seu blog todos que queriam falar mal de A e a turma do B, possessa com o blog também entra para ler o que escreveu e se possível encher de comentários criticando. Fama e muitas visitas a curto prazo, simples assim.


Bem, essa escolha está cada vez mais na mão dos leitores. Mas, somente como garantia, os blogs com essa linha editorial deveriam ter o aviso que acreditar é por sua conta e risco. 


Saiba mais em:



Entrevista com Odir Cunha - O homem que colocou a história em seu lugar

Sobre Bob Woodward, Carl Bernstein e Datena

Sobre o Futebol Arte, Jornalistas e Ídolos







Abraços a todos!



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1 Comentário:

DIVULGANDO CR disse...

LUIS PEREIRA, como nos faz bem ouvir o que você está nos dizendo. Sim, porque são raras as pessoas que cultivam a integridade, o caráter, a ética, enfim, o bom senso, tal como faz sua nobre pessoa. Assim agem os verdadeiros portadores de inteligência superior, essa que nos conduz ao ápice, que é o raciocínio completamente desenvolvido. Tudo que existe no mundo é preciso e necessário, todos os segmentos culturais. Mas, o que não é preciso, nem necessário (aliás, jamais foi em tempo algum, é absolutamente descartável) é o mal caráter, que, infelizmente, parece estar sendo o único cultivo de grande maioria. Aí, desaparece o futebol, os demais esportes, as artes, a ciência, as religiões, as filosofias, as doutrinas, enfim, todos os segmentos e seus desmembramentos, que já faliram há muito tempo, suplantados, esmagados pelas aparências, que é o mal caratismo com pele de cordeiro, utilizando-se dos segmentos culturais já falecidos, para destruir toda e qualquer cultura ainda restante. Realmente fazer questão de quantidade é adotar o signo de Lúcifer, que já arrebanhou a maior parte desta "humanidade" para seu reinado. Nós, que cultuamos a VERDADE (ÉTICA E NOBREZA DE CORAÇÃO ACIMA DE TUDO), sabendo de tudo isso, estamos mesmo longe de querer quantidade. Estamos à procura do que é real, ou seja, em correspondência com a VERDADE. Mesmo porque já estamos conscientes de que a maior parte já se perdeu, não vale nada, é uma quantidade enorme, mas de puro lixo, de puro mal, em grande velocidade caminhando para sua própria destruição. PARABÉNS, meu Amigo e Irmão (somos uma só família), tenho a maior satisfação de ser seguidora deste seu excelente blog! Meu forte abraço!

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