domingo, 5 de fevereiro de 2012

O que eu descobri com sacolas plásticas


Enquanto nos últimos meses de 2011 nossa imprensa "politicamente correta" utilizou seu espaço para crucificar indivíduos como Rafinha Bastos ou divulgar os novos participantes do BBB, a prefeitura de São Paulo aprovou uma lei onde os supermercados estariam proibidos de fornecer as tais sacolas plásticas, correndo "o risco" de levar uma multa de R$ 50 a R$ 50 milhões em caso de não obedecer a lei.


Sustentável? Bela medida? A princípio sim. Realmente parece. Assim como me pareceu que os supermercados e estabelecimentos comerciais viriam com toda a sua ira contra a lei, impregnando nossos tribunais com ações contra a medida, afinal seriam muito prejudicados, pois a prefeitura vai lá e muda uma coisa que há tantos anos vai funcionando bem em nome da sustentabilidade e do meio ambiente?

Eis que a lei entrou em vigor no mês de janeiro em São Paulo. E com isso, comecei a entender como é a vida do cidadão brasileiro e o por quê de muitas vezes nossos políticos, empresários e até a imprensa não gostar de dar voz a esses cidadãos. 

Descobri que, como as "sacolinhas" eram fornecidas gratuitamente pelos supermercados e eles não foram obrigados a dar nada no lugar delas, sua eliminação significou um aumento no lucro deles, afinal vocês acham que algum deles abaixou preços em função de não gastar mais nada com "sacolinhas"? Também descobri que estava errado, nenhum estabelecimento entrou com ação de constitucionalidade contra a lei.

Descobri também, desta vez in loco, fazendo compras com minha mãe, já bastante idosa, que nem para ela sacolinhas são fornecidas. Claro que minha mãe tem o filho que pode "lombar" as caixas de papelão fornecidas pelo supermercado, mas naquele momento fiquei pensando em idosas que vão a estes estabelecimentos de ônibus. Realmente o tal impacto no meio ambiente deve compensar deficientes e idosas carregando suas compras pelo meio da rua ou em ônibus (no belo transporte coletivo de que dispomos). Fico me perguntando que tipo de mãe tem quem teve a bela idéia de propor e aprovar esta lei, e com o que ela trabalha.

Descobri também, que a imprensa faz um papel medíocre no acompanhamento dessa medida. Repórteres se limitam a informar que a lei entrou em vigor e que assim como a lei anti-fumo que começou em São Paulo, as demais cidades do Brasil devem fazer suas lei anti sacolinhas. Fico me perguntando se o fato de supermercados serem anunciantes nos meios de comunicação impedem que existam discussões mais amplas e que se investigue se foi feito um levantamento "custo x benefício" para o povo antes da aprovação do projeto de lei. Acho que acordei de mal humor para pensar isso, não posso estar contra o que é bom para a natureza. Afinal é politicamente correto estar a favor da natureza não importando as consequências.

Descobri também que não houve consulta popular. Assim como não houve quando da implantação da Controlar (empresa que fiscaliza aqui em SP se seu carro polui ou não). Não era melhor e mais democrático? Sei lá, também dá trabalho não é? E provavelmente os políticos que aprovaram a lei e suas mães já sabiam o que o povo iria dizer. Gigantes financeiros lucrando mais, políticos pensando por nós, imprensa calada e povo não participando. Meu humor piorou agora ao lembrar da ditadura que nos assolou por muitos anos. Ainda bem que passou né? Passou?

Por fim, descobri que esta medida gerou desemprego. Sim, o puxa-saco ficou desempregado. Não o ministro ou o técnico de futebol que os meios de comunicação fritaram nesta semana para obter audiência. O puxa-saco que a gente tinha em casa, aquele que a gente enfiava os saquinhos das compras e depois os REUTILIZAVA para o lixo. Será que existem artesões que também vão ficar desempregados pois fabricavam puxa-sacos? Ah,  os políticos, empresários e imprensa devem ter estudado isso e vão nos informar a solução. 

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3 comentários:

Alexandra de Lucca disse...

E não é só isso Luisinho,
Ainda teremos que comprar os sacos de lixo para continuar descartando os restos de nossa vida consumista. Sacos estes que levam o mesmo tempo das sacolinhas para "desaparecer no meio ambiente". A diferença dessa nova lei é que vamos ter que pagar pelos sacos de lixo e também podemos pagar pelas sacolinhas nos supermercados se optarmos por ela. Portanto, o meio ambiente continuará sendo prejudicado e o nosso bolso também.

Enquanto isso, mais e mais pessoas morrem em acidentes de trânsito, vítimas de bêbados, contra os quais ninguém está disposto a fazer alguma lei que aplique uma punição justa, efetiva e severa... Afinal esses caras não estão prejudicando o meio ambiente... Estão só matando seres humanos que usam sacolinhas de supermercado...

abraços.

Denilton "Pé" disse...

Perfeito seu texto, sempre quem paga é o pobre do cidadão, que só é útil em época de eleições.
Abraços
Denilton

Samanta Sammy disse...

OLá !!!

Maravilhoso seu texto! Muito bem escrito, claro e objetivo :)
Olha, vou ser sincera dentro da minha ignorância... Vejamos, agora vou ao supermercado, e levo minha ecobag, o que sempre me estressa ao chegar em casa pois a embalagem de manteiga molha a embalagem de pão e por aí vai... Mas o que mais me intriga é que quando esqueço minha ecobag, os mercados me vendem por 0,19 as sacolas plásticas que antes eram gratuitas!!! quer dizer, como mencionou, além de não existir a baixa dos preços, ainda estão ganhando muito com os esquecidos como eu... isso sem falar no preço das ecobags... Mas enfim, esta confusão de peixe grande como sempre ferra mesmo é conosco... Mas estou me esforçando para entender esta frescura...

Um enorme abraço !!!!

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