segunda-feira, 30 de maio de 2011

Alex Atala - O cozinheiro empresário



Ele vai fazer 43 anos em junho. Nasceu em São Paulo na Mooca e foi criado em São Bernardo do Campo. Assisti a uma entrevista fantástica de Alex Atala no Roda Viva há algumas semanas e fiquei extremamente impressionado. Sinceramente, sempre achei que a profissão de “chef de cozinha” fosse mais direcionada a uma determinada faixa da sociedade acostumada a eventos gastronômicos e que tem dinheiro suficiente para bancar esse hábito. Mas Alex é diferenciado. Ele toca o seu negócio como um executivo toca uma indústria ou uma empresa do mercado financeiro. E seu restaurante permite um ingrediente a mais: a emoção.





Na entrevista, fica claro que Alex mesmo possuindo um talento que o diferencia até de outros “chefs” brasileiros, sua simplicidade e tenacidade em embutir conceitos de marketing a seu negócio não o faz arrogante e muito menos pedante. Ele é dono do “D.O.M.”, restaurante que ocupa a sétima colocação entre os melhores do mundo e na condição de melhor da América do Sul, se apresenta como um local de “gastronomia brasileira”. É um conceito extremamente complexo, mas inteiramente simpático, que passa por ideais de sustentabilidade, utilizando por exemplo o fruto do trabalho de pequenos produtores rurais e comunidades ribeirinhas, tornando-as totalmente sustentáveis e diminuindo o impacto da extração à natureza e ao meio-ambiente.

Explorando ingredientes como pupunha ou açaí, Atala propõe que a cozinha nacional seja reconhecida, com base nos ingredientes genuinamente brasileiros e é, sem sombra de dúvida, uma liderança entre os cozinheiros (ele gosta de ser chamado de cozinheiro). Na entrevista, Alex destaca que muitos “chefs” internacionais vem da Europa conhecer o D.O.M., o que sem dúvida é uma honra, mas o fato de um estudante de culinária ir a seu restaurante aprender lhe enche de prazer (o único cliente que ele não cobra).

O que muitos empresários podem aprender com ele?

O conceito de “viver uma experiência”. O conceito de que um cliente vai consumir o seu produto e tudo que ele tem à sua volta. Claro que estou falando de produtos chamados “premium” (marcas de produtos diferenciados para classes econômicas diferenciadas, afinal quem vai a shoppings destinados à classe A sabe do que estou falando e nem precisa pertencer à essa classe) . Segundo ele, o que fez do restaurante um dos 7 melhores do mundo foi esse conceito, desde a chegada do cliente, a escolha do vinho, a oportunidade de remeter esse cliente a uma sensação única: a emoção ao saborear um prato que, por exemplo, o remeta à infância sentindo o gosto de um tempero há muito não experimentado.

Ah, e não se esqueçam que ele tem funcionários, custos e carga tributária como qualquer empresário brasileiro. Portanto, mão de obra cara, custos elevados e impostos não são desculpa para não se estar entre os melhores do mundo. Talvez você que é empresário que não soube posicionar seu produto para o público adequado.

A entrevista pode ser acompanhada aqui:






Abraços a todos!
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1 Comentário:

Super Links disse...

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