quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sobre Bob Woodward, Carl Bernstein e Datena


Devo ser um dos “trezentos” que elabora um artigo em um blog para falar da preocupação com um fiasco em 2014. Mesmo assim, como brasileiro, patriota sinto que devo fazer isso. Mas, em primeiro lugar, quero fazer uma análise do papel da imprensa perante alguns fatos que marcaram as últimas semanas, em contraste com o papel que a imprensa representou antes do golpe de 1964 e durante a ditadura militar.



Acontecimentos como o “Assassino do Realengo” , “O atraso nas obras para 2014” em todas as mídias sociais e televisivas e, mais especificamente nos portais de esportes, “o caso Ganso”, expõem que a imprensa no Brasil virou negócio. Um negócio como qualquer outro, que se apóia em marketing para vender mais. A “datenização” da imprensa não se limita mais à Record e Bandeirantes e invadem corredores globais, e, no primeiro caso citado cenas amadoras de celulares com um garoto caído sangrando com vários tiros foram o pico de audiência do domingo seguinte ao massacre do Realengo. Aqui não cabe questionar o caso do “Ovo ou a galinha”, já que sou testemunha que a imprensa não era assim. A sociedade sim, sempre criou suas aberrações e por este motivo entre os anos 70 e 90 existiu um jornal chamado “notícias populares” que cumpria bem a função de acompanhar esse tipo de caso com fotos da “vida como ela é”.


Ao mesmo tempo, acompanho em todos os portais de internet o “Caso Ganso”, que faço questão de não explicar aqui. Já encheu. Todos os dias aparece uma notícia nova. Vende acessos na internet que o leitor inteligente já sabe que significa dinheiro. Tanto dinheiro que jornalistas entram no twitter ou dão palestras para se acusarem mutuamente de um ter “plantado” notícias de uma eventual venda do jogador para desestabilizar um clube de futebol. Que eu me lembre todo jornalista quando sonha em se formar, planeja ser um Bob Woodward ou Carl Bernstein (que denunciaram o maior escândalo político da história americana, Watergate), com uma lanterna à mão na procura de um homem honesto e não em um show de travesseiros de penas (de Ganso).


Acompanhando Tiago Santiago e sua novela Amor e Revolução (SBT), revejo ali uma imprensa (e praticamente os mesmos veículos de comunicação) que lutou contra um golpe militar e contra a censura imposta durante os “anos de chumbo”. Muitos jornalistas, formados junto ao nascimento de movimentos estudantis (e muitos deles militantes políticos) atacavam aquilo que se chamava governo com suas penas cheias de tinta e ajudavam a mobilizar a população contra algo que sabia-se que não era bom. Para tanto, nunca precisou mostrar cenas ou fotos de gente sem um pedaço de perna ou sangrando na TV. Não me venham com histórias de que o mundo mudou. O mundo é o mesmo, a ética que não é. Compare um homem que arriscava sua vida, era jornalista e que morreu torturado como Vladimir Herzog com pessoas assim. Tinha uma coragem verdadeira e não vivia do vampirismo jornalístico.


A preocupação com o fiasco em 2014 já beira esse vampirismo. Muitos dos jornalistas que se deliciaram com a escolha do Brasil e respondiam afirmativamente que o país tinha condições de construir estádios e realizar a infra-estrutura necessária, hoje criticam o atraso das obras para vender mais, sejam acessos à internet, sejam jornais. Salvo DUAS exceções não vejo mais jornalistas com a garra daqueles dos anos 70 que lutaram contra a ditadura, para fiscalizarem as obras da Copa, prováveis desvios de dinheiro e a falta de planejamento total que impera no comitê organizador. Todos só falam porque é moda falar, pois se a Vênus platinada mandar todos se calam e vai ser um “Pra frente Brasil” danado. Que figura é aquela que é Ministro dos Esportes? Que respondeu em um “Canal Livre” da Bandeirantes que se um governo não entregar um estádio (exemplo do “Estádio das areias” em Natal) eles vão avisar que ele está fora da Copa. Sim, só isso. Não existe punição para a vergonha que será causada ao país. Um país que pode a ser humilhado no cenário internacional, mas avisamos que ele está fora da Copa. Ele e todos nós.


Tudo bem, na hora “H” a Dilma vai abrir os cofres e as obras saem. Não sei se é bem assim. Aliás aposto no contrário. Ah, os dois jornalistas são José Cruz (http://blogdocruz.blog.uol.com.br ) que faz um trabalho incansável e Juca Kfouri (http://blogdojuca.uol.com.br) que apesar de em seu blog ter posições que divirjo, jamais pactuou com o “lado negro da força”.


Abraços

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1 Comentário:

Anônimo disse...

Sensacional artigo! Pena que tudo isso está diante de nossos olhos e nada é feito a respeito.

Parabéns

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