sábado, 12 de fevereiro de 2011

Por que o Pactual comprou o Banco Panamericano?


Quebrado. Um rombo de mais de R$ 4 bilhões em seu patrimônio. Você compraria um bar que estivesse com uma dívida maior do que vale a casa em que funciona? Acredito que a maioria das respostas foram que não comprariam. Então por que o Pactual resolveu comprar o Banco de Silvio Santos? E por que o Bradesco que estava na corrida caiu fora?


O Pactual, banco de Andre Esteves, multimilionário do setor financeiro, é um banco que tem operações essencialmente de grandes investidores. Não é um banco focado em crédito consignado e financiamento de veículos. É como se o Pactual quisesse colocar um pouco de roupagem de Varejo em sua carteira de clientes. Com um bom planejamento pode estar buscando entrar nesse mercado, sendo uma estratégia para ter contas correntes de baixa renda para a venda no futuro de produtos como seguros, consórcios, títulos de capitalização.


O Bradesco diz que não quis comprar. Em minha opinião ele achou que não valia a pena, olhou o rombo e se assustou com medo de haver mais esqueletos no armário. Outros bancos pensaram e também devem ter se assustado com o trem-fantasma. Mas por que então o Banco Panamericano valia tanto?


Simples. A carteira de clientes. Até alguns anos atrás, um negócio do ramo financeiro valia muito pela rentabilidade que proporcionava. Hoje em dia, uma carteira de clientes vale muito, não só pela rentabilidade que proporciona no negócio que o trouxe, mas também pelo potencial que tem em novos produtos. E também vale muito por eventuais “amarrações” com outras empresas, parcerias, por exemplo disponibilizar parte da lista de clientes para um parceiro promocional explorar com a venda de produtos não financeiros.


Isso vale muito, uns R$ 450 milhões e o esperto Señor Abravanel também sabia. Não valia o suficiente para um banco com mais de 10 milhões de clientes como o Bradesco, mas vale muito para um banco que nunca atuou no Varejo começar a trabalhar com CRM (Customer Relationship Management – ou Gestão de relacionamento de clientes). André Esteves e Pérsio Arida não estão brincando de ser donos de Banco. Estão sendo arrojados e cautelosos ao mesmo tempo.


Se der certo por que não dar vôos mais altos. Comprar bancos de varejo médios. Ir aprendendo a cruzar bases de dados e ganhar mais e mais dinheiro com isso. Quem tinha 300 ou 500 clientes não conseguia fazer isso e agora pode. Antes disso, os dois têm uma dívida de 4 bi para recuperar e uma imagem de banco a resgatar. As ações caíram 30% desde o começo da confusão. Vamos aguardar.


Abraços a todos!

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1 Comentário:

José Carlos do Carmo disse...

Gostei do Post!

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