domingo, 27 de fevereiro de 2011

Quando a história bate à nossa porta


Presenciei mais acontecimentos de mais de quatro décadas de vida do que esperava. Talvez os adolescentes de hoje já estejam preparados para acontecimentos que mudam o mundo de manhã, à tarde e à noite. E de madrugada tudo mudar novamente. Mas, em 3 de outubro de 1990, eu acompanhava pela TV a queda do muro de Berlim e extasiado pelos manifestos de reunificação de uma Alemanha dividida e gritos de liberdade, não conseguia parar e imaginar que ali seria o marco do que selaria o destino de novas gerações.

Sim, a partir dali, surgiram os movimentos de globalização, internacionalização da economia, fim do sim e não, certo e errado, o fim da guerra fria, enfraquecimento da esquerda no mundo, crescimento do consumo, que culmina com a busca por um mundo sustentável, afinal, tudo aquilo que hoje você pode aprender lendo um bom livro. Mas, quando vivi aquilo, não parei para pensar no que viria depois. Não vivi aquilo. Comemorar é bom, claro que é, cair uma ditadura, unir povos que estavam separados, mas, eu só soube das conseqüências quando elas viraram realidade.

E hoje tenho uma nova oportunidade. Depois de um início de queda das ditaduras do mundo árabe, já caíram do Iêmen e Egito, mas vejo como irreversíveis as quedas de Bahrein e Líbia, o mundo árabe jamais será o mesmo. Em 1990 se falava o mesmo, que a Alemanha jamais seria a mesma. E o mundo jamais foi o mesmo. A crise no mundo árabe é o início de uma mudança radical, uma nova mudança global após 20 anos.

É o fim de algo chamado de “panela de pressão do oriente médio” perceberam? Nos últimos 50 anos, americanos, israelenses, ingleses e franceses tentaram a paz naquela região. A paz pela ameaça, ameaça de não ajudar, de não colaborar ou de colaborar mais ainda. Não perceberam que aquelas ditaduras acabariam pelas próprias mãos de seu povo. Não seria o inimigo imperialista americano que derrubaria Ghaddaffi. Nem Mubarak. E nem os outros que vem por aí. Foi o próprio povo, e, assim como na queda do muro de Berlim não houve um patrocínio partidário ou uma ideologia libertadora. Foi a fome mesmo, a vontade de comer.

E as conseqüências? Bem, a primeira mudança detectada é que o povo desses países evoluiu, deixou de acreditar que os responsáveis por suas mazelas eram os capitalistas do ocidente. Aquela raiva religiosa vai acabando perceberam? A fome é terrível, mexe com os valores do ser humano. Primeiro vão limpar a casa, colocar em ordem, ter uma democracia razoável e trabalhar. Já descobriram que polarizar pedindo ajuda para o capitalista não é bom negócio, não souberam reconstruir um país como o Iraque e tiveram que devolver para o povo.

São novos mercados consumidores, sedentos de ocidentalidade. Receberão investimentos, McDonalds, Hoteis, Gp da Líbia de Fórmula 1 e o povo vai ter trabalho, acesso digital, casar com quem quer. Sim, com democracia é difícil de a religião ser um limitador para as escolhas pessoais. Bem, se de um lado temos um grande público que quer consumir, temos um grande público que quer produzir. A solução adotada pela China quando percebeu que precisava alimentar mais de 1 bilhão de chinesinhos foi o de montar fábricas de produtos eletrônicos baratos. Se a solução adotada por esses países for essa, podemos apostar na aceleração do consumismo.

Se de um lado temos fundamentos econômicos que vão mudar profundamente, temos alguns movimentos interessantes que poderemos observar. Imaginem se daqui a dez anos Israel vai conseguir brigar com alguém. O mundo árabe vai estar tão ocupado acelerando suas economias e investindo todo aquele dinheiro do petróleo em produção que não vai dar a mínima para Israel. E, em minha opinião, os políticos vão ter que justificar a pobreza do povo judeu com outras explicações do que dizer que gastou tudo na proteção do povo daqueles vizinhos “loucos” (nada contra o povo judeu e sim contra o radicalismo de alguns governantes). Vai ficar mais ou menos parecido com a Coréia do Norte, que grita e faz testes nucleares mas quem ganha dinheiro e se desenvolve são os vizinhos.

Tudo Bem, são reflexões, mas e os americanos, europeus, nós, o que vai acontecer? Em minha opinião, acontecerá uma intensificação da globalização. Como são países produtores de petróleo, poderão privatizar sua produção de petróleo (a longo prazo e só a produção, não as jazidas) em troca de crescimento econômico e inclusão social para seu povo (lembram de algum país que fez isso?). Dessa forma, empresas já acostumadas hoje a movimentos assim, podem entrar nesses países, gerar empregos, pode ser a salvação da lavoura para o crescimento econômico voltar a Europa e EUA. Quanto ao Brasil ter as multinacionais certas na hora certa. Se fosse recém formado, faria um curso de língua árabe rapidamente e um curso de culinária árabe pois oportunidades vão surgir. Não vou me assustar se daqui a dez anos assistir a um “Globo Repórter” mostrando o sucesso de um cozinheiro brasileiro que deu certo na Líbia vendendo feijoadas.

Isto se os senhores da guerra deixarem!

Abraços a todos!
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