terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Afinal o que querem os executivos?

Muitas são as opções quando se está à beira do vestibular. Algumas carreiras ao longo dos anos chamam mais à atenção que outras. Nos anos 70 as mães sonhavam com filhos médicos e engenheiros. Nos anos 80 a moda era ser economista ou sociólogo, fato decorrente da reabertura política e se querer um entendimento maior das coisas. Ao longo dos anos 90, tempo de se ganhar dinheiro, advogado ou marketing. Hoje, as profissões ligadas à TI e mídias sociais.


De acordo com o perfil desejado nas empresas, um executivo (diretor, superintendente geral, gerente) deve ter aproximadamente 40 anos, maturidade, ter morado no exterior, vida equilibrada, não fumar, etc... E, com esse perfil, nota-se que ele quando um pouco mais maduro se formou em economia ou administração, ou quando mais novo formou-se em marketing.


Voltando ao passado, quais eram as ambições dessa pessoa quando se formou. Para o que foi direcionada? Em ambos os casos, tanto se originando nos anos 80 como nos anos 90, essa escolha não passava por ali. Os movimentos de humanização de carreiras, responsabilidade sócio-ambiental, eco-dinamismo, etc... vieram no início desta década. Em primeiro lugar, o número de universidades era extremamente limitado, dificultando o acesso das camadas menos favorecidas. Hoje, uma mensalidade de alguém que viria a se formar na carreira de marketing em 1995, giraria em torno de R$ 3.200,00 em valores atualizados. Esse futuro executivo era de classe média e média-alta.


Em segundo lugar, o inglês. Ah o inglês. “Se não possuir inglês está morto no mundo corporativo”. Sim, tanta verdade que eu mesmo fui enfiado em uma escola de inglês aos 7 anos e acho que nunca mais saí de lá. Por fim, o sabático ano no exterior. Por vezes dois anos. Esse investimento raramente era obtido por financiamentos estatais ou por fundações interessadas no desenvolvimento sócio-ambiental. Esse investimento saiu da família desse executivo. Pais se privaram de um carro melhor ou de uma casa maior. Viagens de férias que nada, o que importa é que o Joãozinho vai passar 1 ano em Wharthon estudando e, com toda a bagagem que vai adquirir não vai ter dificuldade para ter emprego.

Agora vamos dar uma paradinha. Já assistiram CSI ou Criminal Minds? O que eles mais fazem é traçar o perfil de um psicótico, de um tarado ou coisa assim. Pois é. E geralmente o hoje é fruto do ontem. Do carinho ou da falta dele.


Voltando ao nosso amigo descrito aí em cima, com esse perfil, certas atitudes podem ser esperadas. Uma delas é esperar a busca incessante pelo lucro e pela redução de custos. É até óbvio. E a preocupação com a formação de pessoas, seus verdadeiros clones também. Vai contratar iguais. Assim, mais vendas, menos custos, mais lucro. Também alinhado com o dono da empresa.


O problema começa nas responsabilidades sócio-ambientais. Vocês já viram um discurso sincero (A Marina Silva não é executiva de nenhuma empresa) de um executivo a respeito de problemas sociais ou de algum projeto ecológico de sua empresa? Quando se sentirem assim, tentando entender por que aquilo soou falso, lembrem-se que, enquanto não criarmos um novo perfil de formação dos executivos não teremos um desenvolvimento sustentável neste país. E nem em outro lugar qualquer do mundo.


O perfil acima procura Bônus. E palavras são soltas ao vento, principalmente em discursos. Quem as empunha precisa ter o perfil para executar, caso contrário fica como está.


Abraços a todos,

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2 comentários:

Principe Encantado disse...

Para se criar um desenvolvimento sustentável, precisaremos de alguns anos, para a formação de profissionais conscientes.
Abraços forte

Marivan disse...

Interessante, um tanto complicado para entender a mente dessas pessoas,
é a lei de Gerson!!!

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