domingo, 21 de novembro de 2010

Chefe Ruim, Empresa Ruim



É sempre fácil detectar se uma empresa que emprega alguém para gerenciar uma equipe está preocupada com essas atitudes dessa pessoa ou na entrega de projetos da área dela. A palavra líder tem sido usada nas empresas de forma equivocada. A palavra líder vem daqueles que lideraram povos em batalhas, que com sua coragem, carisma, imparcialidade e competência conseguiram conquistar esse cargo.

Nos meus 20 anos de carreira, observo sempre que o pior cego é aquele que não quer enxergar. De qualquer forma, sempre observei que determinados gestores tem características em comum, principalmente aqueles que são ambiciosos e prepotentes. Já que as pesquisas não identificam essas figuras em seus quadros, resolvi fazer um breve relato baseado em minha experiência, caso algum dono de empresa ou diretor freqüente este espaço e precise de dicas para identificá-los:

- Morre de vontade de ser ditador, mas, como não pega bem, vira um democrata impositor. Geralmente pode ser identificado com algumas posturas como: desmarcar reuniões em cima da hora, não aparecer nas reuniões, deixar funcionários esperando com hora marcada, ser o dono da razão e somente seu tempo (do relógio) tem valor. Além disso, utiliza-se de uma espécie de chantagem corporativa: o “emprego” – Assim conseguem impor “democraticamente” suas idéias e valores. Nessa espécie de chantagem, todos os valores da empresa (se forem bons) são jogados fora, e o aprendizado do funcionário fica comprometido (quanto mais novo o funcionário pior o exemplo). Traçando um perfil psicológico, este é um líder inseguro, teme ser engolido pelo processo e pelos funcionários mais novos e ao invés de privilegiar a empresa procura uma atitude do “o ataque é a melhor defesa” do que utilizar a entrega como forma de ser reconhecido.

- Privilegia alguns funcionários em detrimento de outros. Confunde confiança com amizade. Geralmente pessoas com o mesmo perfil profissional se relacionam com mais facilidade. Vamos imaginar a hipótese de que esse líder tenha um projeto para entregar. Claro que baseado na lei “subliminar” da confiança, procura dar esse projeto para o funcionário que julga ser mais competente. Um funcionário que ele conhece bem, que está com ele há 10 anos, o chefe desse líder já conhece também. Obviamente, esse funcionário que também é amigo do Líder e participa de sua vida social, é tão centralizador e autoritário quanto seu chefe e vai escolher pessoas da mesma turma para participar do projeto. Só aí o projeto já está fadado ao fracasso. Além disso, como está privilegiando um amigo, o efeito nos outros funcionários do grupo é devastador. São cobrados por horários que o outro nunca pratica, não tem o reconhecimento que o outro tem e como geralmente, os funcionários que entregam e são competentes são aqueles que se revoltam primeiro não existirá entrega do projeto, ou seja, fracasso total.



- Não entende nada de Geração X ou Y. Ouviu falar, mas não se aprofunda no assunto. Alegar ignorância é mais fácil que justificar incompetência. Assim é fácil, mas observar que esse Líder (que é da geração X) nunca faz reunião com estagiários e nunca repassa conhecimento a seus comandados mais jovens é o maior sinal de incompetência. Também não entende nada de mídias sociais. E ainda ri de quem as usa. Acha que tudo é Orkut, a classe D das mídias sociais. Que tudo é usado para conversar com amiguinhos ou saber quando é o próximo aniversário dos seus contatos. Só acorda para a vida quando perde o cargo para alguém da Geração Y.


- Visão, Missão e estratégia da empresa. Este assunto é um saco para o nosso amigo. Significa que ele terá que ficar 2 ou 3 dias trancado em um hotel com seus pares para escutar coisas que já sabe. Isso tudo só pode ter saído da cabeça de um diretor. Como esse nosso amigo não gosta de ser questionado, também não questiona, apenas segue. Um dia, estará naquele lugar e vai fabricar a sua visão, missão e estratégia. Aí sim, será do jeito dele. Só esqueceram de avisar que existem outros que acreditam em visão, missão e estratégia. E acreditam em planejamento, se organizar, valorizar o time, ser um Líder servidor, desenvolver a motivação de seus comandados, etc...

- Diretoria é um objetivo a ser atingido e não um posto estratégico para a empresa atingir seus objetivos. Esse líder pode sacrificar o lucro da empresa no futuro com o meu interesse nos Bônus a curto prazo. Em alguns casos (Banco Panamericano por exemplo) fica evidente a formação de um grupo interessado mais nos Bônus do que no sucesso da empresa.

- E cuidado quando você que é acionista ou presidente de uma empresa promover uma figura dessas! Esse falso líder pode ser um ótimo analista, mas conter algum dos vícios acima. Deixe a liderança para quem sabe liderar. Isso é dom mas pode ser desenvolvido, mas o primeiro ingrediente é o caráter.

Em breve, como forma de compensação a eventuais donos de empresas ou diretores que freqüentem este espaço, elaborarei artigo com as características de quem é bom mesmo e merece ser promovido. Quem sabe ajude.

Boa sorte !
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2 comentários:

J. Carlos Froes disse...

Adorei o post, mas tenho uma duvida pessoal que gostaria de colocar em discussão... como fica o reconhecimento pelo tempo? A colaboração ao longo do tempo deixa de existir?

Luis Pereira disse...

Froes, Em primeiro lugar obrigado pela presença no AntropoMidia. O artigo não pretende valorizar a geração Y e "diminuir" a Geração X, simplesmente é uma crítica a quem não se atualiza e ainda pensa que a empresa e seu emprego são propriedades suas. Conheço alguns casos positivos da Geração X em que os gerentes estão optando por ser mentores de novos funcionários da Geração Y ao invés de resistir a sua capacidade de inovação.
Volte sempre!
Abraços
Luis Pereira

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