terça-feira, 6 de julho de 2010

Sobre o Futebol Arte, Jornalistas e Ídolos

A frase é a seguinte:

“Prefiro ganhar jogando feio do que jogar bonito como a seleção de 1982 e perder.”

O autor, agora ex-técnico da seleção brasileira, deve estar muito arrependido. Ninguém quer chutar “cachorro morto”. Ninguém quer dizer a frase que vai enterrar o técnico e seu futebol medíocre de um vez por todas. Por isso vou escrever.

Prefiro perder como em 1982 com um time que jogava bonito do que perder com um monte de volantes jogando feio.


Está aí. Não me doeu em nada. O que me intriga (e muito) neste retorno da seleção brasileira é o motivo de diversos jornalistas, os quais teriam a oportunidade de criticar, escrever o que escrevi no segundo parágrafo não o faz. Eles estiveram na tragédia do San Riad. Eu chorei pela última vez por motivos futebolísticos naquele dia.

Mas será que escrever o que escrevi acima pode me trazer alguma maldição? A mim não, pois não usufruo das benesses que alguns tem na CBF, exclusivas, fofocas, furos de reportagem. Eu posso falar, mas nem todos podem. É uma frase simples, que não requer muita elaboração. Mas ninguém fala. Silêncio.

Alguns devem achar que é piegas escrever o que escrevi. Ou que seria escrever o óbvio. Mas o povo quer que você escreva. Você, jornalista, que se diz voz do povo e pergunta em nome dele. Diga, mesmo que depois o país monte outra seleção fantástica e a derrota venha em casa. Ninguém vai te culpar. Pior é essa omissão. Assim como quando disseram que 69% da população apoiava Dunga contra a TV Globo. Você não disse nada em favor de Escobar. Medo que Dunga ganhasse a Copa e jogasse isso na sua cara.

Se você disser, nunca mais um projeto de ditador será o técnico da seleção brasileira. Nunca mais seu auxiliar se dirigirá ao povo brasileiro com a arrogância de um “ame-o ou deixe-o”. Se você se omitir, por pena dele, ainda vai ser chamado de traíra de novo. Porque um dia eles voltam. Eles sempre voltam.

Quanto aos jogadores, pobres jogadores. Esses rapazes precisam entender que um ídolo não é o que está na mídia. Aquele que teve 5 minutos, um mês ou uns anos de fama. Ídolo é aquele que deixa uma marca que nunca será apagada, nem por uma atuação ruim. Vocês jogadores, podem ter todo dinheiro do mundo, mas não são e não serão ídolos. Ídolo não se fabrica, nasce pronto. Ídolo traz alegria, mesmo com a maior tristeza. A seleção de 1982 foi recebida no Brasil com muita alegria. E ídolo não usa aquela “golinha cacharrel” por baixo do manto sagrado da seleção.

Contei agora há pouco. Demorei 32 segundos para me lembrar e falar a escalação de 1982.

E, assim como em 1990, vou demorar quatro anos para esquecer a escalação de 2010.

Abraços a todos!

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