quarta-feira, 17 de março de 2010

Sobre o Pré-Sal e as Olimpíadas

O governador do Rio de janeiro chorou. Sim, chorou. O mundo mudou mesmo. Imaginar um Governador de Estado preso ou chorando nunca passou por minha cabeça em minha adolescência. Nem nos últimos meses. Nem durante a tragédia de Angra. Lá, o governador do Rio de Janeiro não chorou, nem sobre os corpos das vítimas.



Esta semana, a câmara dos deputados aprovou um projeto de lei mudando as regras de concessão de royalties a Estados da união. Regra anterior: Quem produz fica com a maior parte. Regra aprovada: Comunismo. Sim. Alguns produzem e o resto que ficou curtindo a Timbalada, o Afro-Reggae ou algum “rebolation” fica com uma parte também. Sou contra, não deveriam ter mudado a lei.

O Rio de Janeiro perderá cerca de R$ 7 bilhões anuais em receitas. Tanto as pessoas que elaboraram o projeto de lei como as que o aprovaram deveriam no mínimo fazer um exame de consciência. Em minha opinião, é como se eu fosse na casa do meu vizinho e resolvesse dividir seu carro importado por igual entre os vizinhos por achar que todos merecer ter um carro importado. Todos merecem sim, mas ele TRABALHOU (mesmo que seja um governador de um tal distrito do país) para ter aquele carro. Assim como o Estado do Rio de Janeiro investiu durante décadas na implantação de refinarias em parceria com a União, assim como investiu na formação de especialistas e na prospecção de petróleo. Fico imaginando o quanto Tocantins ou Roraima investiram para receber de volta bilhões do Pré-Sal. Garanhuns vai poder receber dinheiro do Pré-Sal. Que maravilha!

Em contrapartida, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, tomou a defesa do Rio de Janeiro e afirmou ser “uma quebra de contrato com o COI – Comitê Olímpico Internacional”. Em primeiro lugar, não acredito que o Estado do Rio de Janeiro necessite de defesa do COB. O assunto não se resume às Olimpíadas. O buraco é mais embaixo. Em segundo lugar, os jogos Panamericanos serviriam para deixar um “legado” para a população do Rio de Janeiro. Legado que hoje pode ser visto no complexo Maria Lenke, toda louça sanitária roubada e as piscinas em “petição de miséria.” Que moral se pode falar em quebra de contrato se não se honram os contratos?


Concluindo, é óbvio que esta ridícula distribuição de receita será revista. Até porque Dilma e Serra precisam do voto carioca para se eleger e a pressão anda grande por uma terceira via. Basta surgir um “Collorzinho” empenhando um cajado da honestidade e mártir a favor do Rio de Janeiro “injustiçado” que o resultado da eleição presidencial poderá ser outro. Negociações políticas vão acontecer, dez pra lá, quinze pra cá e pronto, chegamos a um “acordo”.
Quanto ao COB? Peço somente reflexões dos leitores do “por que” da gritaria. Eu costumo gritar quando mexem nas minhas coisas. E chorar também.

Leia Também

Rio 2016 – Nosso novo milagre econômico


Abraços a todos!
RSS/Feed: Receba automaticamente todas os artigos deste blog.
Clique aqui para assinar nosso feed. O serviço é totalmente gratuito.

6 comentários:

Café Atômico disse...

Parabéns brow! Ótimo texto.

Nelsinho disse...

Sensacional o texto! É a mais pura verdade.

Parabéns pelo blog. Estou seguindo-o!
Grande Abrçao.

Nelsinho Lima.

Aluísio Lima disse...

Parabéns pelo texto, muito bem escrito!
Especialmente importante, serão as tais "posições políticas assumidas", que na verdade, quase sempre não são lá tão assumidas assim. Ainda vou ler vc escrever mais sobre este assunto!

Fernandez disse...

Olá amigo Luiz!
Gostei da forma qualitativa da opinião exposta pelo amigo. Sempre acho que se pode chegar a uma fórmula que respeite todos interesses.
Só fico pensando se as pessoas percebem que esta briga que se armou está restrita a apenas 15% dos recursos (oriunda dos royalties). Outros 15% são de custos da extração e sobram 70% dos recursos que ninguém está debatendo para onde vão (Por que será?). A princípio, estes 70%, serão distribuídos entre o governo federal e a empresa vencedora do leilão.
O RJ chora pelos 7 bi (e está no seu direito), mas não seria melhor brigar junto com os demais estados para que o governo federal distribua melhor esta riqueza que, no final das contas, pertence a todos nós brasileiros?
Gostei muito do teu artigo.
Forte abraço, Fernandez.

Dr.House disse...

Excelente! Tudo que você disse se resume numa coisa: Democracia falida.

Joselito disse...

Bem, quem não chora não mama ... tá certo tem de chorar mesmo, isso traz comoção popular, aglutina e marca ponto na decisão.

Postar um comentário

  ©Antropomidia | Licença Creative Commons 3.0 | Template exclusivo Dicas Blogger