quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sobre bombas, Irã, Chávez e o governo brasileiro


Tenho certeza que todos estão acompanhando na mídia um ocidente horrorizado com a atitude do Irã, através de seu presidente Mahmoud Ahmadinejad, iniciando o processo de enriquecimento de urânio em 20%. O governo iraniano alega que os fins são medicinais, utilizando o urânio enriquecido para equipamentos nucleares.
O que espanta, é que o presidente iraniano sinalizou na última semana que aceitaria enviar o urânio para ser enriquecido em outro país e recebê-lo de volta. Para se fabricar uma bomba nuclear é necessário que o urânio esteja a 90% de enriquecimento. O mundo se calou. Óbvio. Ninguém vai admitir, mas custa dinheiro.
Os americanos pedem agora fortes sanções contra o Irã. Mais ou menos assim que se começa uma briga. Sou a favor da posição do governo brasileiro, que tenta mediar esse “pseudo-conflito”, através do ministro das relações exteriores Celso Amorim.
Já o amigo do presidente Lula, Hugo Chávez, continua em sua peregrinação em se tornar o novo Fidel. Fecha jornais, cria programas que as TVs e rádios são obrigados a exibir (claro, com longos discursos do caudilho), encampa bancos, manda racionar eletricidade. O problema da Venezuela é outro. O preço do barril do petróleo caiu muito depois da guerra do Iraque, para cerca de US$ 46 o barril, enquanto quase bateu os US$ 100 duranto o conflito. O país vive do petróleo e enquanto estava com preço alto Chávez podia dar até piruetas na TV que o povo aplaudia.

Toda a atitude de Chávez visa provocar a comunidade internacional. Tenta chamar à atenção antes que seu país caia para níveis “cubanos” de representatividade global. Assim, grita quase como pedindo ajuda, afinal os americanos e associados querem garantir a democracia. Ou ao menos queriam. A crise mundial de 2009 fez com que os americanos descobrissem que tinham que governar um país, antes de governar o mundo.
A posição do governo brasileiro no caso tem sido o silêncio. Todas as denúncias de violação de direitos civis e perda de garantias não são sequer questionadas. Acredito que, se queremos ter independência das nações mais ricas, temos que nos posicionar como a liderança da América Latina e cobrar sim satisfações de Hugo Chávez.
Me parece que o nosso posicionamento no que tange à política internacional segue uma cartilha estudada. Não é sem querer. O governo sabe que no caso do Irã deve agir com correção (e a popularidade de Obama não anda lá essas coisas) e que no caso de Chávez não pode se expor demais, afinal está apoiando a entrada da Venezuela para o MERCOSUL, além de ser um ditador, sujeito a seu temperamento.
Chávez não vai chegar a ser um Darth Vader para Obama. Bem que ele tenta e muito. Mas os americanos já escolheram Ahmadinejad.
Abraços a todos!
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5 comentários:

Alceu A. Sperança disse...

É uma pena que no Brasil não sejam fechadas as emissoras de rádio e TV que descumprem descaradamente a Constituição e os contratos de concessão.

Os contratos preveem expolicitamente que os canais concedidos pelo pelo povo brasileiro devem ser utilizados predominantemente para programações educativas e culturais.

O show de horrores, baixarias, BBB, Faustão e outras baboseiras está bem longe disso!

A maioria dos canais foram concendidos na ditadura para políticos pilantras e corruptos.

Precisamos tirar das mãos dessa gente o poder de dopar e iludir a população.

TiagoLott disse...

parabéns pela abordagem..Ótimo texto..

Guilherme Freitas disse...

Ahmadinejad é um louco que precisa ser detido. ele vai desestabilizar o Oriente Médio e o planeta todo com essa obcessão doentia pela destruição de Israel. O Irã vai pagar caro por sua política. Abraço

Isabel Ruiz, disse...

Olá amigo. Quantos jogos de interesse, não é mesmo? Nessa luta de egos quem sofre é uma maioria carente, deserdada de conhecimento, de voz ativa,do pão e da veste.
Parabéns pelo post.
Abraços
Bel

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

Olá amigo Luis, acho Chaves um louco que só quer aparecer e Ahmadinejad(será que escrevi direito) vai sim desestabilizar o Oriente Médio se continuar a agir assim, aliás não só o Oriente Médio como o mundo todo. Eu não sabia que urânio servia para fins medicinais(vivendo e aprendendo).

Abraços.

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