domingo, 24 de janeiro de 2010

Como anda o Admirável Gado Novo

Em meio à ditadura militar, 1980, inspirado na obra de autoria “admirável mundo novo” de Aldous Huxley, o músico Zé Ramalho compôs a bela canção “admirável gado novo”. Em sua letra o autor fala de uma massa oprimida e que não tem acesso à educação, dá mais do que recebe e mesmo assim tem fé no futuro. Logo se tornou uma espécie de hino da esquerda mais radical, que acreditava que a luta armada era a única forma de tomar o poder. O cenário era o povo do Norte e nordeste, mais tarde chamados de “descamisados” por Fernando Collor de Melo.


Bem, o tempo passou, em 2002 um presidente nascido politicamente no embrião do que seria o PT, o sindicato dos metalúrgicos, tomou posse e está há 8 anos no poder. Ouço a música e fico refletindo como está esse admirável gado novo. Esse povo sofrido, das periferias e rincões do norte e nordeste deste país.
Tudo dependerá por qual prisma queremos olhar. Se queremos olhar se esse povo está em condições sociais mais justas (comer, morar, vestir) não podemos dizer que está cem por cento mas acredito que a coisa evoluiu muito. Hoje as taxas de sobrevivência no nordeste são muito maiores. As ações de cidadania e da pastoral da criança são muito louváveis. O IDH tem subido.
As pessoas estão morando (em sua maioria) melhor. Já não são freqüentes as cenas de retirantes nordestinos passando fome e sede. Ainda existem, mas são menos vistas por nós. Essas pessoas estão com acesso. A palavra é acesso. Estão se vestindo melhor, podendo até ter empregos melhores e dignidade.
Por outro lado devemos analisar o meio como se chegou a isso. Não foi dividindo o “bolo” como a esquerda dizia nos anos oitenta. Até porque o “bolo” não dá para todo mundo. Ainda somos um país de terceiro mundo. Chegamos a esse resultado com políticas como o bolsa família, bolsa gás, bolsa eletricidade e ainda vem por aí a bolsa celular.
Longe de pregar aqui o fim dessas políticas, provoco todos a uma reflexão. Não acho que entregar o peixe é melhor que ensinar a pescar. Longe também de ser um pessimista, mas se por algum acaso, uma eventual crise, o governo não puder mais honrar com essas políticas assistencialistas jogaremos essas pessoas de volta ao nível abaixo da pobreza.
Por esse motivo, deixei para o final durante este artigo o fator educação. Não existe política social que possa ignorar que sem um alto investimento em educação possamos tirar essas pessoas das “bolsas” e realmente dar a elas a chamada oportunidade de inclusão. Em minha opinião é preciso investir nos professores, pagar melhores salários, principalmente para aqueles que ensinam até o jovem chegar à adolescência. É preciso investir em estrutura também, equipamentos, salas de aula e laboratórios.
É muito triste observar o ensino público falido. Estudei até chegar à universidade em escolas públicas. Hoje, todos os meus colegas de trabalho já planejam o futuro de seus filhos estudando em escolas particulares.
De outra forma, esse povo “marcado” continuará sendo tratado como “gado”, manipulado e sem coerência eleitoral. Talvez tenha nascido daí a expressão “curral eleitoral”.
Abraços!
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1 Comentário:

dianaBruna disse...

É verdade, concordo com vc, é deprimente ver a situação em que o nosso país se encontra. Eu mesma talvez seja uma 'felizarda', pois estudei a vida toda em escola particular, já que o ensino público, daqui da minha cidade no Pará e em quase todo o Brasil, é sabidamente fraco. Com apenas 19 anos, sou da geração que os pais não quiseram arriscar no ensino público, tendo ambos passado por lá e conhecendo bem a situação. É triste olhar e ver que, do jeito que o Brasil ainda está, e não parece que vai mudar de rumo tão cedo, eu vá ter que depender da iniciativa privada para garantir aos meus filhos ensino de qualidade mínima.

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