quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Jornais x Mídias Sociais. A declaração de Hamburgo.


A mídia impressa, liderada pelos jornais, vem fazendo uma ferrenha campanha pelo fim do uso de notícias geradas pelos seus jornalistas por meio da internet. È a chamada “Declaração de Hamburgo”, A Declaração foi lançada em junho deste ano, após encontro do Conselho Europeu de Publishers e da Associação Mundial de Jornais e ainda coleta assinaturas e apoio de grupos de mídia em todo o mundo. É claro que estão falando de twitter, blogs, portais e outros meios de comunicação que são mais ágeis que os meios de leitura tradicionais.
Na história se vê a evolução desses meios em contrapartida ao desinteresse do consumidor em ler notícias já “frias”. Isso tem relação com a velocidade das mídias sociais. O “Breaking News” ou “Plantão da Globo” hoje se traduzem na rede com a mesma velocidade e conteúdo, pois vários internautas ligados em notícia minuto a minuto já colocam em seus sites seus textos com as mesmas informações colhidas no momento em que aconteceu o fato.
A discussão está na propriedade da matéria jornalística. Se por um lado os jornais investem em repórteres e estes gastam tempo e suam a camisa por uma entrevista ou “furo”, censurar o acesso dos internautas e a divulgação do que pensam ou relatam seria errôneo.E ainda devemos pensar nos empregos de ambos os lados, porque os jornais empregam muita gente, na linha de frente e nos bastidores das reportagens e ser internauta já deixou há bastante tempo de ser uma mera diversão e muitos deles vivem de seus sites e portais.
A notícia não tem dono. Isso é fato. Outro fato é que a matéria tem dono sim e simplesmente “copiar e colar” em seu site é sim um tipo de apropriação de conteúdo. Afinal, nenhum blogueiro gosta de ver seu conteúdo copiado em outro blog.
Acredito que a solução poderia vir de um debate sério e não simplesmente de um enfrentamento, onde os proprietários de jornais tentam forçar a aprovação de leis. Um fórum, onde representantes de ambos os lados criem um código de ética, uma espécie de código do consumidor de notícias, pois no final das contas quem escolhe onde ler é o consumidor final.
Do contrário corremos o risco de um enfrentamento parecido com o que os proprietários de gravadoras travam com sites de download de músicas. A situação hoje das gravadoras é dramática e estas não investem mais do que 10 % do que investiam há 10 anos atrás e, em contrapartida, não existindo esse investimento ficamos com pouca produção musical e, os mesmos sites citados anteriormente sem músicas de qualidade para oferecer. As duas partes perderam e tudo aconteceu por falta do tal debate.
Abraços a todos!
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5 comentários:

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

É amigo, tem muitas pessoas que roubam o texto de outras, isso tem que acabar. Os jornalistas tem que chegar a um entendimento, pois a internete é hoje o maior meio de divulgação que existe.

Um abraço.

Thiago Fagundes disse...

Estes jornalistas deve acompanhar a evolução digital que acontece no mundo, ficar reclamando como bebês não adianta, deve aceitar a realidade e contribuir para q ela se torne cada vez mais positiva.
Eu não me importo se colocam algum texto meu em outro blog, desde que coloquem a fonte e a autoria!

Guilherme Freitas disse...

Os jornais nunca mais vão vender como antes. Isso é fato. Eles se preocupam também com a influência que vão perder, pois hoje com a internet muita gente nem lê mais jornal e descarta saber o que eles pensam. Essa perseguição contra blogs e twitters da vida só vai jogar mais cal na cova do jornal. Se os caras não se unirem e usarem a tecnologia a seu favor, vão se dar mal.

E plágio na web é duro. Essa semana mesmo um blog da época copiou na cara de pau um artigo do meu blog. Reclarei com o editor da revista e fui duro com eles. Deu certo. Pedido de desculpa e crédito colocado. Abraços.

Rouver Júnior disse...

Olá, Luis.

Parabéns por falar desse assunto.
Na minha opinião, acho muito difícil haver um diálogo entre os blogueiros, p.ex., e os responsáveis por mídia escrita. Isso, não porque eu seja avesso ao debate (pelo contrário, Acho que o debate poderia ser muito útil), mas porque a rede de blogs é muito vasta e diversificada. Não creio que haja algum grupo que possa representar todos os interesses dos blogueiros.

Então, é isso.

A paz e a graça do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

JORNALISMO ANTENADO disse...

Olá, Luis muito pertinente o assunto, eu concordo que as materias jornalisticas deveriam sim serem protegidas, porque sei o quanto dá trabalho ao jornalista produzir uma materia. Claro que a notícia é de domínio público, mas as matérias não. Sou jornalista e blogueira e vejo distinção nas duas funções, mesmo que muitos blogueiros escrevam tão bem quanto um profissional.
Ótima escolha de tema. Beijos

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