sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016 – Nosso novo milagre econômico


Em minha tese de graduação, e lá se vão 20 anos, abordava uma análise dos milagres econômicos pelos quais o país passou nos anos 70. Para escrever a tese (que nos cursos de hoje se chama TCC – chamo de curso, pois sei bem o que é uma graduação) me baseei em minha percepção de como o governo militar e ditatorial dessa época conseguiu atrasar o desenvolvimento do Brasil de uma forma fácil: Simulando um país que não existia.

Em julho deste ano passei um final de semana prolongado no Rio de janeiro, fiquei em um belo hotel na praia do Leblon, conheci Ipanema, Copacabana, uma boate maravilhosa dentro de um hotel, o Maracanã e seu museu do futebol, Pão de Açúcar e claro, o Cristo Redentor. Tudo muito perfeito e adorei cada minuto que passei nessa cidade. Estou elogiando tudo isso porque não tenho o menor preconceito contra o Rio e de forma não ufanista deixo claro que realmente é a cidade mais bonita que conheci em toda minha vida e o povo da cidade me recebeu de forma igual.

O problema maior é que existe uma cidade como a que descrevi acima e existe outra realidade. Não preciso descrever aqui os problemas que o Rio tem, como favelas, pobreza, marginalidade, tráfico, afinal todos assistem os jornais e sabem disso. O que me deixa perplexo é a miopia dos cidadãos (do país inteiro) e não conseguem enxergar a hipocrisia que existe em se escolher uma cidade com tantos problemas para sede dos jogos Olímpicos de 2016.

É hipocrisia sim, quando todos, digo todos mesmo, acreditam que a solução para esses problemas sociais é um investimento maciço na qualidade de vida da população, em educação, moradia e empregabilidade e ao mesmo tempo defendem que a solução para a inclusão social das classes menos assistidas seja uma olimpíada. Sinto muito, não é e não será.

A maior parte da geração de empregos que uma olimpíada vai gerar na cidade maravilhosa será em subempregos, como por exemplo, os assistentes, recepcionistas, vendedores de camisetas, motoristas de vãs, etc. E onde está o investimento em educação e em inclusão social? Quanta contradição.

Quero aqui deixar meus parabéns ao senhor Juca Kfouri, jornalista renomado que desde já deixa clara sua posição contrária aos jogos e sua intenção em fiscalizar a fundo o uso das verbas. Foi um entre milhares, milhões, afinal o que vale é o ufanismo, agora deixamos de ser “cucarachas”, seres não reconhecidos pela comunidade mundial.

Em agosto de 2016, quando o tráfico de drogas voltarem às ruas (como na Eco 92 ou no Pan 07) ou a marginalidade estiver arrastando corpos de crianças pelas ruas com um carro roubado, lembre-se o quanto valeu a comemoração de hoje.

Bem vindos ao novo milagre econômico brasileiro. Desta vez sem ditadura, talvez uma ditadura da mídia, mas o que você tem a ver com isso? Bem, leiam a respeito dos outros dois milagres e talvez vocês compartilhem da minha opinião.

Abraços a todos!

Para entender mais Milagre Brasileiro:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Milagre_Brasileiro
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10 comentários:

Anônimo disse...

Perfeito!!
Como sempre vivemos do velho e bom "pão e circo".
De um lado um povo orgulhoso por ser a sede de uma Olimpiada, 2 anos depois de sediar a Copa (com direito à estádio na Amazonia!!!), que comemora o seu status internacional de economia estável, desenvolvimento, prestígio conquistado pelo nosso presidente. Estamos com tudo!!!
Essa notícia ocupou a mídia por completo.
Enquanto isso, como estamos com o escandalo do castelo? E por onde anda nosso presidente do senado e seus "atos secretos"? Algo acontece em Honduras?? Reforma tributária? Pré Sal? Roubo da prova do ENEM? Regras para a mídia nas eleições?
Ah, e sobre os milhões a mais gastos em investimento para o PAN e o estado atual das estruturas construidas, alguém sabe no que deu?
Agora é um momento para comemorar...amanhã a gente vê o que vai fazer para continuar sobrevivendo...
Cintia

Fatima Zanin disse...

Acho válido se fomos escolhido,o povo gosta,as benfeitorias e melhorias ficarão para a cidade e a população, claro que sabemos que tudo exige um grande investimento, o tempo é longo vamos ver como vai funcionar a parte financeira,abraços .

Felipe disse...

Até agora fui contra.
Já que conseguiram só nos cabe vigiar e torcer para que tudo dê certo, mas sempre com um pé atrás.
Abraços

Rodrigo Piva disse...

Parabéns pelo texto, Luis. Infelizmente cansei de protestar em vão. A maior parte das pessoas acha que o importante mesmo é ter duas semanas de "diversão", diversão essa que será para quem tiver grana para comprar os ingressos. Haja vista a Copa das Confederações onde a Fifa foi obrigada a distribuir ingressos para a população cuja renda mensal é pior que a nossa. Enfim, nada mais nos resta fazer a não ser lamentar. É o famoso "rouba mais faz". Podem desviar bilhões, mas o importante é que vão fazer alguma coisa. Enquanto tiverem essa mentalidade nada vai melhorar.

Abraços

Eu e Minha autoBlografia disse...

Estou com vc! É uma hipocrisia, é querer fechar os olhos como tantas vezes nós fizemos e fingir que está tudo bem. Não vai ficar bem. Eu citei no meu blog, que tivemos diversas modalidades importantes como Sul Americano de Canoagem com os nossos medalhistas olímpicos aqui em SP, de graça, e ninguém foi. A maior tristeza, ñ ter sequer público para festejar os nossos Campeões. Mas, se ñ interessa os nossos Atletas, se ñ interessa manter patrocínio para eles - A NCx. retirou o patrocínio ao Remo paulista (Que já foi um esporte tão importante como o futebol é hj) Finasa idem. É hipocrisia sim. Vamos ter obras Megafaturadas, e o povo? ah, vão pegar os empreiteiros do metro e abrir uma cratera e jogar todo mundo dentro. Os grandes do narcotráfico vão estar nos camarotes. Às favelas: tanques, atiradores de elite para ninguém poder sair de dentro. Eu amo o Brasil, quero mudá-lo, apóio o Esporte, mas desse jeito ñ!

universoparalego disse...

Muito bom o seu texto! Acho que nele você resume o que eu penso e acredito...

Alexandre disse...

Opinião compartilhada pelos jornalistas Juca Kfouri, Arnaldo Jabor, Alexandre de Oliveira (Eu)e todos os demais que enchergam a questão pelo ponto Macro, além do festivo entusiasmo efemero de que fomos incluidos no cenário mundial esportivo e sanarmos as prioridades. Salve 2016, temos oportunidade de superar as ambições de J.K. e realizar a maravilha de 60 anos e 6. Viva o pré Sal, viva os medalhas de ouro das licitações, viva o trem bala perdida São Paulo/Rio e viva quem puder para desclassificar o povo das modalidades AssaltocomVara e TributoLivre, aplaudido pelo Congresso Nacional. Viva!

José Joaquim disse...

O estimado autor do artigo precisa também conhecer outras cidades, não necessariamente no patamar do Rio de Janeiro. As questões levantadas são problemas gerais, proporcionalmente bem maiores em São Paulo ou outra qualquer grande cidade do mundo, inclusive onde já foram realizados os jogos.
Tóquio, Madri ou Chicago não são tão perfeitas como muita gente imagina e a escolha do Rio não foi uma decisão do próprio Rio de Janeiro, obedeceu critérios e metas bem definidas pelo Comitê Olímpico Internacional, que têm o objetivo apenas de promover, organizar e realizar os jogos.
O que me preocupa na verdade é a roubalheira da administração pública na execução de todo o projeto olímpico e talvez a falta de uma participação mais competitiva do Brasil nas olimpíadas.

Fábio disse...

Excelente! Parece que saiu de minha mente. Povo cego. "Brasil, um país de todos."

gibanet disse...

Como a Cintia comentou acima, é a política do pão e circo ( Pão = bolsa esmola e circo = copa, pan, olimpiada, etc .
O prefeito, Eduardo Paes, deve estar neste momento reunido com empreiteiros, decidindo os valores da partilha dos recursos que serão desviados do montante destinado a construção e reforma necessária para acomodar o evento.
Quem pode fazer alguma coisa está mais interessado em acompanhar novelas, campeonatos de futebol, contar fofocas no Twitter ou encontrar a maneira mais eficiênte de ostentar aos quatro cantos do mundo que comprou um iPhone ou iPod ou qualquer outro bagulho eletrônico que veio a se tornar modinha.
É como diz o velho ditado: "Cada povo tem o governo que merece" e viva o Sarnei, o Delubio, o Collor, o Maluf, o João Paulo Cunha, a Marta Suplicy, o Pitta e todos os outros honestos ícones de nossa política tupiniquim.
Um grande abraço
Giba

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