quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Brasil mais armado? Defesa ou ataque?

Quando vejo uma notícia como essa, em que o governo brasileiro vai investir R$ 22 Bilhões na compra de helicópteros e submarinos franceses (pode chegar a R$ 32 Bilhões caso seja fechada a compra de 36 caças rafale) fico extremamente preocupado. Não é com o lado financeiro que estou preocupado, afinal temos reservas internacionais de mais de US$ 200 bilhões e esse valor, caso confirmado, será pago em 20 anos, além dos benefícios da transferência de tecnologia por parte do governo francês.

O que me leva à reflexão é a atitude tomada dentro de um contexto de ações e acontecimentos na América Latina e no mundo. Crise financeira internacional, Chavismo venezuelano, exploração do petróleo na camada Pré-Sal e estarmos em um ano pré-eleitoral.

A crise financeira internacional funciona como espécie de pano de fundo para algumas atitudes do governo francês. Acredito que para a economia mundial o pior já passou, mas governos do mundo todo injetaram bilhões de dólares na economia nos primeiros meses da crise e com nossos amigos franceses não foi diferente e, além disso, programas de reequipamento de defesa aérea e compra de caças de vários países foram abortados, também devido à crise. Com isso explica-se a enorme vontade da França pelo negócio com o governo do Brasil, inclusive transferindo tecnologia, que nunca veio em compras anteriores.

Na outra ponta do palco observamos o presidente Hugo Chávez da Venezuela perpetuando-se no poder e com sua arrogância extrema afirmando no encontro do G20 que sente “odores de guerra na América Latina”, referindo-se a suas desavenças com o presidente da Colômbia Álvaro Uribe. Lembro que a Venezuela é membro da Opep (organização dos países exportadores de petróleo) e seu presidente se dá muito bem com o presidente Lula.

Ao centro do palco outras duas cenas interessantes. Um presidente que não pode se reeleger lançou sua candidata (que não decolou com a “sonhada” transferência de carisma) e a descoberta da maior reserva de petróleo no litoral brasileiro, abaixo da camada de pré-sal, cerca de oito quilômetros abaixo do nível do mar. A pressa em explorar essa reserva e em afirmar que teremos um Brasil muito rico, amarrando tudo isso a uma candidatura me deixa com a sensação de um populismo digno dos militares nos anos 60.

Ainda não há indícios para concluir o que este ato todo representa, mas sinto odores que não me são agradáveis. Para quem ainda não entendeu, imaginem a seguinte situação: Um amigo seu nunca foi de briga, ganha na megasena, tem que pagar a faculdade, dívidas e, ao invés disso, compra uma arma. De quem seu amigo quer se defender? Ou a quem quer intimidar? Será que seu amigo está com problemas porque ganhou muito dinheiro e entrou em um surto psicótico achando que todos querem roubar seu dinheiro?

Só posso concluir afirmando que tenho a esperança de estar enxergando mal, juntando cacos de ações que não têm interdependência nenhuma e que o surto psicótico é meu, afinal tenho trauma de ditaduras, de governos opressores e que usam o dinheiro público com a intenção de demonstrar poder e truculência. Tomara mesmo que o problema esteja comigo.
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